segunda-feira, 2 de março de 2009

INFERNO: Quadro


"Inferno", de mestre português desconhecido (1510-20)

No Inferno que um autor português não identificado pintou no século XVI reunem-se imaginários recorrentes do mal, do medo e do castigo. À tradição medieval da representação de demónios e de figuras de distintos grupos e estatutos sociais junta-se a novidade da representação do nu, em toda a sua evidência, e da figura exótica que dá corpo ao príncipe emplumado dos demónios, provavelmente um índio brasileiro, que preside ao grande teatro dos condenados.

A própria composição reforça o sentido infernal do sofrimento, encadeando os corpos uns nos outros através de um esquema bem legível que os distribui por um arco que abraça o caldeirão circular onde, ao centro, fervem os clérigos. Este grande arco prende-se, à esquerda, na notável representação dos três nus femininos suspensos da trave e, à direita, difunde-se na grande abertura circular por onde chegam os culpados, a chamada boca do Inferno.

Para além do exaustivo inventário de pecados, castigos e objectos de martírio, o aplicado exercício de pintura explora outros inquietantes aspectos - a ambivalência dos corpos e as máscaras caricaturais dos diabos carrascos. Este impiedoso mundo subterrâneo contido numa raríssima pintura, parte presumível de um retábulo, aguarda que se faça luz sobre a sua origem. (in site do MAA)


TRIÂNGULO
Adriano Mendes (Realização)
Filipe Franco (Argumento)
Pedro Souto (Produção)


Pedro Souto (bensonpai)

2 comentários:

  1. Gostava de poder saber mais acerca do projecto.. Sempre vão seguir com a história do acidente? Estou curioso...

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