segunda-feira, 30 de março de 2009

INFERNO: Hexágono

Foto: André Martins
HEXÁGONO

Produção: Pedro Souto
Argumento: Filipe Franco
Realização: Adriano Mendes
Imagem: Samuel Andrês
Som: Susana Chaby Lara
Montagem: Inês Pott


Pedro Souto (bensonpai)

quarta-feira, 25 de março de 2009

INFERNO: Treatment Pitching #01

TREATMENT (20/03/2009)

Um homem vestido com um fato cor-de-laranja de recluso (HOMEM DE LARANJA) cai de costas em cima do colchão fino da parte debaixo de um beliche. Outro homem, também de laranja e com barba comprida (HOMEM DE BARBA), atira-se para cima do Homem de Laranja. Com uma almofada nas mãos sufoca-o firmemente até ele deixar de se mexer.
CORTA PARA:

Ouve-se o som de um motor que engasga e pára. Um homem careca, vestido de negro e com um capuz para trás (HOMEM DO CAPUZ), sai de uma carrinha preta e veste um colete reflector. No mesmo sentido passa outra carrinha preta, a grande velocidade.

CORTA PARA:

O Homem do Capuz abre as portas de trás da carrinha. Afaste uma grande gadanha e abre o caixão que ali se encontra. Dentro do caixão está o Homem de Laranja. O Homem do Capuz diz-lhe para vir ajudar.
CORTA PARA:

Do capot aberto, sai uma nuvem de fumo. Enquanto remexe no motor, o Homem do Capuz pede ao Homem de Laranja para ir dando à chave e acelerar. Depois de duas tentativas, o carro arranca e passa por cima do Homem do Capuz. Ouve-se um estalar e o carro pára. Visivelmente nervoso o Homem de Laranja espreita para baixo pela janela do seu lado.
CORTA PARA:

O GPS indica “Purgatório”. O Homem de Laranja, agora de negro, mete o capuz e arranca. A carrinha afasta-se deixando na estrada um corpo despedido e inerte, com roupa laranja ao lado.

CORTA PARA:

A carrinha chega a um parque de estacionamento parando junto de um homem alto e muito magro que escreve num bloco de folhas (HOMEM DO BLOCO). Junto à janela do condutor, o Homem do Bloco espreita para a traseira do veículo e acena positivamente com a cabeça. Olha para o relógio e indica ao Homem de Laranja uma grande carrinha com as portas de trás abertas. O Homem de Laranja sai da carrinha em direcção à outra. Ouve-se um burburinho que vem de dentro da carrinha. O Homem de Barba surge, agarrado firmemente por um homem grande. O Homem de Laranja fica estático, com um ar surpreso, e vê o Homem de Barba ser atirado para dentro carrinha. Ouvem-se as portas do veículo a fechar.

CORTA PARA:

O Homem de Laranja, sentado ao volante acaba de mexer no GPS e fecha a sua porta. O GPS indica “Inferno”. A carrinha arranca e vai-se afastando, saindo da garagem.


TRIÂNGULO
Adriano Mendes (Realização)
Filipe Franco (Argumento)
Pedro Souto (Produção)



Pedro Souto (bensonpai)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vi este filme ontem à noite





Um pouco fora de tópico, mas como foi estabelecido que seria possível colocar questões deste tipo, pergunto se alguém possui 81/2. O plano como a maioria das pessoas já sabe é uma sessão na escola, mas a escola não o possui e não conheço ninguém que o possua.

Se alguém o possuir e não se importar, por favor informem.

domingo, 22 de março de 2009


Clara, uma rapariga fragilizada, tenta destruir o quadro que a relembra um trauma passado mas Eduardo, motivado pela promessa feita ao pai de ambos, impede-a.
Para cumprir a promessa feita, Eduardo dá uma festa de apresentação da última obra do artista. Clara comparece à festa em homenagem ao pai e ao ser confrontada com o revelar da obra faz uma segunda tentativa mas percebe no último momento que a destruição do quadro não a libertará.

Grupo:

Aida Santos, Cátia S. e Amélia Sarmento

INFERNO: Sinopse e Logline


SINOPSE

Após ser assassinado, um homem mata acidentalmente a Morte no caminho para o Purgatório. Decide assumir o seu lugar e esta nova função oferece-lhe a oportunidade de transportar o seu assassino para o Inferno.


LOGLINE

No caminho para o Purgatório o protagonista tem a oportunidade de assumir o papel da Morte e levar o seu assassino para o Inferno.


("Inferno" é inspirado no quadro homónimo do séc. XVI de mestre português desconhecido. Pertence à colecção permanete do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Ler mais...)


TRIÂNGULO
Adriano Mendes (Realização)
Filipe Franco (Argumento)
Pedro Souto (Produção)


Pedro Souto (bensonpai)

As Galinhas Não Voam

Está um grupo de pessoas vestidas de galinha, rodeado por uma cerca que lhes dá pelos joelhos. Um rapaz chega a correr e tenta desesperadamente abrir o portão da cerca. De seguida, dois homens vestidos de galinha agarram-no pelos braços e empurram-no para dentro de uma sala. A sala é branca e vazia e nela encontra-se um homem engravatado encostado à parede, com uma galinha dentro de uma gaiola ao seu lado. O homem engravatado força o rapaz a sentar-se numa cadeira. O rapaz tenta levantar-se mas não consegue. O homem engravatado fala sobre a impossibilidade das galinhas viverem fora das gaiolas, abrindo a porta da gaiola onde está a galinha, a qual não sai. Depois, pega nela e atira-a pela janela e, aproximando-se do rapaz, diz:”As galinhas não voam.” Ouve-se a galinha a cair no chão. O homem engravatado dá uns óculos ao rapaz, aproxima-se da porta e abre-a. O rapaz sai.

O rapaz encontra-se dentro da cerca que antes tinha tentado abrir, vestido de galinha. Lá dentro estão as mesmas pessoas vestidas de galinha que outrora tentou soltar. O rapaz coloca os óculos, à sua volta estão pessoas sem fatos de galinha a usar os mesmos óculos que ele, caminhando normalmente na rua.



André Martins (produtor)/ Joana Neves (realizadora)/ Mafalda Merino (argumentistas)

TRECHO DIFÍCIL

"Jonas perde o seu mentor e procura o seu caminho por entre os escombros de castelos de cartas derrubados"


Treatment

JONAS, um rapaz de 19 anos, entra no seu quarto. Passa a mão pela superfície de uma redoma que contém um castelo de cartas por acabar. Ao passar por uma secretária onde vemos plantas de um projecto similar à sua construção, pega numa moldura e olha uma fotografia sua com o seu avô e mentor, falecido há pouco tempo. Tentativamente, tira duma gaveta um baralho de cartas muito especial, da sua infância, adornado com autocolantes.
Quando se dedica a colocar o último lance para finalizar o castelo, vacila. Fechando os olhos, é transportado para o seu subconsciente, encontrando-se com as três cartas em jogo num descampado: VALETE, DAMA e REI.
Jonas explica-lhes o porquê da sua hesitação, confessando o seu desespero perante a morte do avô. Na intimidade da sua mente, os quatro conversam num exercício de preparação para o desafio que se aproxima; Jonas é confrontado com opiniões contrárias que revertem o seu ponto de vista, deixando-o em paz com qualquer consequência da sua construção. Quer esta caia ou se mantenha de pé.
Voltando a si mesmo, Jonas avança, resoluto, coloca o último par sobre o topo do castelo... que desaba após um segundo de existência.



Triângulo: Mariana Fortuna, Rita Neves e Catarina Lino

A Tua Música

"As Tentações de Santo Antão"
Hieronymus Bosch
Museu Nacional de Arte Antiga

Logline: Mateus é um saxofonista mudo que está interessado em Alice, mas não sabe como comunicar com ela e acaba por utilizar a sua própria música como meio.

Treatment: MATEUS, um saxofonista mudo, interessa-se por ALICE, uma mulher que vive em frente ao bar onde trabalha. Todos os dias, quando sai do trabalho, fica à porta do bar a ouvi-la tocar piano, acabando aos poucos por se sentir seduzido pela sua música. Mateus, ao querer comunicar com Alice, grava uma cassete com uma música sua. Ele põe a cassete na caixa do correio de Alice, identificada com o seu nome e o nome do bar. Alice não reage bem a esta "invasão", desconhecendo as intensões de Mateus. Mateus tenta comunicar com ela pelo bloco que usa normalmente para falar mas é mal sucedido até ao momento em que Alice percebe de facto que Mateus é mudo e que a cassete era a única forma que Mateus tinha para comunicar com ela, pois também foi assim que ele a conheceu pela primeira vez, através da sua música.

Triângulo:
Bárbara Sereno
Bárbara Moura
Sara Godinho


O Maravilhoso Mundo dos Bombeiros

Retrato do Futuro Visconde de Santarém
Domingos Sequeira
Museu Nacional de Arte Antiga


TREATMENT:

MARTIM tem 5 anos e como todas as crianças atravessa uma fase: quer ser igual ao pai. O pai é executivo; Consultor Administrativo de 3º Grau é o nome do cargo que MARTIM decora e repete aos amigos. Seguimos o pai enquanto este, orgulhoso, acompanha MARTIM - inconsciente de que é apenas uma fase do seu crescimento. Um Action Man a que MARTIM vestiu um fato, um desenho feito por este de si e do pai ambos de fato, são os objectos que o pai encontra e que o levam a imaginar o filho também de fato no seu futuro. A partir de uma conversa no parque infantil com outra criança, MARTIM descobre o maravilhoso mundo dos bombeiros. O pai da criança é bombeiro, e MARTIM passa também a querer sê-lo. O pai de MARTIM descobre então o Action Man agora de fato despido, e apercebe-se que MARTIM se afastou dele, não compreendendo a natureza do comportamento do filho.

Triângulo: Joana Queirós, Susana Realista e Tomé Palmeirim

"Jogos de azar" (Fortuna)

Postem aqui os vossos comentários ao nosso projecto.
Não sei porquê, mas o meu post anterior não está a admitir comentários.

Francisco Carvalho

Triângulo: Diana Cardoso, Francisco Carvalho e Inês Ribeiro

Venus de Millo e o conceito do filme

. Escultura do filme .
Ao Rafael, Inês , Samuel e ao Nuno, mas sobertudo ao Rafael, pois lembrei-me da primeira vez que te ouvi comentar com entusiamo, espanto e admiração, um filme! Ora isso é muito marcante e venho pois mostrar-te que a particularidade desse filme que nas tuas palavras é "genial" - a Eva Green como Venus De Millo (The Dreamers, Bernardo Bertolucci), me fez lembrar que a ideia da Ana Costa também podia ser pensada por ti como sendo "genial" também! Acho mesmo interessante a presença da Venus De Millo no vosso filme como uma das obras em consumo no restaurante, como ela propôs, e devia ser seriamente recebida e considerada, (pelo menos por ti, Produtor, pensa nas potencialidades da genialidade da analogia do conceito que dão ao filme, com essa brutal imagem que é quase literal!) hum...

(Isabelle como Venus de Millo em The Dreamers, Bernardo Bertolucci, 2003)

É só em tom de opinião acerca de que a ideia da Ana pode ser realmente bastante cómica e bem próxima do tom que penso que querem dar ao filme. (Se bem que uma Venus de Millo num Rodizio nunca é a Eva Green nesse filme que tu, surpreendentemente :P disseste "gostei, está genial") Eu aqui nesta tentativa de mostrar que sou fortemente apologista da ideia espontânea da Ana, só vos tenho a dizer bom trabalho! Pensem, pensem...como o [Pensador] do Rodin.
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Father: Listen to me, Theo. Before you can change the world you must realize that you, yourself, are part of it. You can't stand outside looking in. [The Dreamers]

sábado, 21 de março de 2009


Paulo está no escritório de sua casa, sentado no sofá, a respirar com dificuldade. Tem um ataque de tosse violento. Quando recupera pega numas folhas que tem na mesa ao lado do sofá e num tabuleiro almofadado, preparando-se para escrever. Entra Joana, mulher de Paulo. Retira-lhe o tabuleiro, dá-lhe uns comprimidos e um copo com água. De seguida, liga a televisão, pousa o comando no sofá e senta-se a ler uma revista. A campainha toca, Joana levanta-se para abrir. Paulo levanta-se a custo e segue-a o mais rápido que consegue. No exterior encontra-se Inês que traz um saco nas mãos. O saco tem o logótipo de uma editora. Joana pergunta-lhe quem é. Não obtém resposta. Paulo cumprimenta Inês com afectividade e retira um livro do saco. Inês despede-se e vai para o carro. Paulo abre o livro e escreve uma dedicatória. Entrega o livro a Joana que fica perplexa por ver o nome do marido na capa. Paulo olha-a de forma dura e vai ter com Inês ao carro.

Marco Martin
Maria Mendes
José Pedroso



Homem vai ao restaurante mais sofisticado da cidade. Apercebe-se de que o restaurante, embora chique, é bastante surreal e contém bastantes elementos ligados a arte de que não percebe. Pede um prato e trazem-lhe um quadro, chocado, o Homem faz um esforço e tenta comê-lo mas não consegue. Pressionado pelo empregado e os clientes acaba por prova-lo e é a melhor coisa que alguma vez comeu.

Triangulo:
Rafael Lino
Inês Pott
Samuel Andrês
Nuno Raymundo

'Uma RAPARIGA vive numa casa já demasiado pequena para o seu corpo e idade. Acorda no dia em que um HOMEM lhe deixa uma carta que solicita a saída dessa casa e desse mundo onde permanece sem querer conhecer. O HOMEM espera-a, mas primeiro é só vulto e sombra, depois torna-se real e presente quando ela, na sua recusa e entrega, tomando-o como provocação, arrisca o seu medo e desejo num diálogo que termina com um convite para dançar e que inicia a valsa da vida. '
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Triângulo: Ana Costa, Susana Chaby Lara, Mariana Cortes

Convite à Valsa



Convite à Valsa
do autor português Columbano Bordalo Pinheiro, existente na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Saldanha, Lisboa
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“Em "Convite à valsa" está bem patente a marca de Columbano. É uma obra muito intimista, até pelo seu tamanho, que só poderia ser o resultado de um excelente observador de comportamentos humanos.
Nesta cena de interior, um típico baile burguês, um jovem convida uma jovem para dançar. Estes são os elementos principais da composição. Do lado esquerdo um homem mais velho está sentado confortavelmente num cadeirão, poderá representar as pessoas que já conquistaram o "seu lugar" e que agora observam o percurso dos outros. No lado direito uma outra jovem observa-os de leque na mão (tentando disfarçar o seu interesse), o seu olhar é intrigante e um tanto irónico, talvez de inveja.
Este é um ambiente que imediatamente nos lembra Eça de Queiroz, nos seus retratos da sociedade. De facto, juntamente com este escritor, Columbano contribuiu muito para a caracterização satírica da sociedade portuguesa dos finais do século XIX.”

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Triângulo: Ana Costa, Susana Chaby Lara, Mariana Cortes


sexta-feira, 20 de março de 2009

"Jogos de azar" (título provisório)














Pensei que fosse uma boa ideia postar aqui no blog o treatment que fizemos para que possam ter acesso à ideia que apresentámos no pitching de hoje. Comentem se quiserem, dêm as vossas opiniões e postem também as ideias dos vossos grupos.


Treatment

Afonso e Luísa aparentam ser um casal perfeito, contudo, Afonso tem segredos que não quer ver revelados – teve um caso com a melhor amiga do casal, Júlia, que está a par das fraudes que este cometeu na empresa e é capaz de tudo para obter o que quer. Afonso tem vindo a comprar o seu silêncio mas, quando decide parar de o fazer, Júlia ameaça expô-lo. É então que, para um almoço na casa do casal, Júlia traz consigo o italiano Domenico, chefe da empresa em que Afonso trabalha, numa clara atitude provocatória que ele não tinha previsto. Agudiza-se então o receio que Afonso tem de que Júlia cumpra a sua ameaça, e a urgência de que leve avante o plano que tinha para envenená-la, usando o pretexto de um brinde. Contudo, nada corre como esperara e, após uma troca de copos, é Afonso quem acaba por provar do seu próprio veneno.

Obra escolhida: Estatueta de Fortuna (Museu de Arqueologia)

Temática: A influência do imprevisto no rumo dos acontecimentos

Tipo de filme: Suspense com um toque de humor negro gerado pela ironia dos acasos


Francisco Carvalho

Triângulo: Diana Cardoso, Francisco Carvalho, Inês Ribeiro


domingo, 15 de março de 2009

Salomé

Autor: Lucas Cranach, o Velho (1472-1553)
1º terço do século XVI
Óleo sobre madeira de carvalho
Museu Nacional de Arte Antiga

"O tema da bela Salomé que através da insinuação da sua grande beleza e graciosidade da sua dança conseguiu de Herodes como recompensa e por instigação da mãe, a cabeça de João Baptista, é recriado de forma poderosamente sintética neste painel do pintor alemão Lucas Cranach. A jovem, vestida com riquíssimos trajes recebe nas mãos a bandeja contendo a cabeça, acabada de cortar, do profeta. A força desta imagem reside também no jogo dos olhares: o de João Baptista que parece conter ainda uma réstia de vida, interpela o espectador, enquanto a bela e imperturbável princesa olha em frente, sem emoção, parecendo intocada pelo drama. No canto superior direito da pintura inscreve-se um dragão alado, marca da oficina do pintor, utilizada entre 1508 e 1537."

(in site do Museu Nacional de Arte Antiga)

Triângulo: Cátia Silva, Amélia Sarmento, Aida Santos


quinta-feira, 12 de março de 2009

Trecho Difícil


Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929)
Óleo sobre tela
Assinado e datado "Columbano", "1883"
CMAG, 928


De acordo com a sua linguagem estética habitual, Columbano Bordalo Pinheiro aborda neste quadro cenas momentâneas, interiores, do quotidiano burguês.

"Esta composição, datada de 1883, ano do regresso de Columbano a Portugal, e representando o seu sobrinho, Manuel Gustavo, debatendo-se perante a dificuldade de uma partitura, apresenta diversas semelhanças formais com as suas obras de produção parisiense, construídas a partir de um fundo sombrio, de claro-escuro, onde se evidenciam pontuais focos, de tonalidades mais claras, que funcionam como elementos estruturantes da cena representada.

A personagem, o jovem Manuel Gustavo, colocado de perfil, sobre o lado esquerdo da tela, ao deixar esbater-se o seu corpo no cromatismo do fundo, focaliza o olhar sobre as zonas do rosto e mãos, que têm o seu contraponto no teclado e na folha branca da partitura, colocada mesmo à sua frente. As mesmas folhas repetem-se, supostamente abandonadas sobre o cravo, criando um factor de equilíbrio da cena, ao perspectivar o espaço em diversos planos sequenciais. Estas pontuações matéricas, de luz e sombra, pictoricamente representadas numa combinação pastosa, entre o negro sobre o negro (articulação de fundo da tela com a tonalidade do casaco e do cabelo de Manuel Gustavo), pontuado por ténues pinceladas de castanho férreo, e as manchas contrastantes de branco "sujo" das zonas atrás mencionadas, acentuam, igualmente, o aspecto caricatural da composição que é, simultaneamente, à maneira columbaniana, uma cena marcadamente intimista. Numa abordagem cara ao pintor, Columbano cria igualmente nesta tela, o retrato da personagem a partir da representação da sua própria acção. Ou seja, o sobrinho funciona como um suporte, para a caracterização da cena em que ele é o seu único actor.

Manuel Gustavo é posteriormente retratado, em 1884, numa obra existente no acervo do Museu do Chiado (Inv. 1004), numa postura perfeitamente distinta daquela aqui apresentada. À aparência juvenil e insegura de Manuel Gustavo em O Trecho Difícil, Columbano apresenta, no exemplar do ano seguinte, um outro sobrinho de atitude confiante e altiva.

Curiosamente, à semelhança da obra Convite à Valsa [pertencente às colecções da CMAG], Columbano retrata, novamente, uma cena em redor da música, elemento indicador da importância quotidiana que esta arte assumia na educação e na vida da família Bordalo Pinheiro.

Proveniência: Adquirida ao Senhor Tendeiro, tendo pertencido, anteriormente, ao Doutor Albano Guedes. (...)"
por: Isabel Falcão, in Catálogo de Pintura (Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)


Triângulo: Ana Rita Neves, Mariana Fortuna e Catarina Lino


Catpin = Catarina Lino

terça-feira, 10 de março de 2009

Fortuna


Estatueta de Fortuna, de autor desconhecido.
Museu Nacional de Arqueologia

Datada da época romana, a estatueta, escolhida pelo triângulo, representa a filha de Júpiter, Fortuna, a deusa do destino, da esperança e da sorte (fosse esta boa ou má). Era representada portando uma cornucópia e um timão (ou leme), simbolizando a sorte e a coordenação das vidas humanas que estariam à sua responsabilidade. Sendo cega, tal como a imagem moderna da Justiça, leva-se a crer que distribuía os seus desígnios, sem olhar a quem ou porquê.

Assim sendo, para a nossa história, tomou-se como conceito principal a impossibilidade do homem em controlar os eventos de modo a que tudo ocorra como pretende. Este estará sempre dependente da sorte e do azar, que acabam por mudar o rumo da sua vida, provando que apesar de toda a racionalidade e sentido de superioridade que o destacam de todos os outros seres, continua a estar vulnerável a simples incidências que estão fora do seu controlo.

P.S. Para nós, tornou-se evidente que gostariamos de trabalhar essencialmente com a simbologia por detrás da estatueta (apesar de haver certos elementos visuais a serem incorporados na história)... Sei que ainda estamos todos numa fase inicial mas gostaria de saber como os outros triângulos estão a trabalhar com a relação da obra e a história obtida. Quando puderem façam um post

Triângulo: Diana Cardoso, Francisco Carvalho, Inês Ribeiro